
O Secovi-SP oficializou, em evento realizado em sua sede nesta quinta-feira, dia 13/8, a transformação do Projeto Ampliar em Instituto Ampliar, consolidando 35 anos de atuação social do sindicato e ampliando o alcance da iniciativa voltada à formação profissional e à inclusão produtiva de jovens em situação de vulnerabilidade social. O encontro, conduzido pelo presidente executivo do Secovi-SP, Ely Wertheim, reuniu dirigentes do sindicato, empresários do setor imobiliário e representantes históricos do Ampliar para apresentar a nova estrutura da instituição, que passa a atuar com estatuto próprio e capacidade de captar recursos de fontes diversas.
Ao abrir os trabalhos, o presidente do Secovi-SP, Jorge Cury, destacou que o lançamento marca “o início de um novo e fundamental capítulo” na trajetória de responsabilidade social do sindicato. “O Projeto Ampliar nasceu há três décadas com uma premissa simples, mas revolucionária: a de que a transformação da sociedade passa inevitavelmente pela educação profissionalizante e pela oportunidade do emprego”, afirmou, lembrando que mais de 60 mil jovens em situação de vulnerabilidade já passaram pela iniciativa. Para Cury, transformar o projeto em instituto “não é apenas uma mudança de nome ou de estrutura jurídica”, mas “a consolidação de um modelo de sucesso e o compromisso de expandir o alcance” da ação social. Ele fez um convite direto aos empresários do setor para que se engajem na nova entidade. “Engajem-se no Instituto Ampliar, apadrinhem, contribuam, participem da missão de promover a inclusão produtiva e fortalecer nosso propósito comum de contribuir para a construção do alicerce de uma vida digna.”
Diego Velletri apresentou um retrospecto da história da entidade, fundada em dezembro de 1990 sob a presidência de Sérgio Mauad, com apoio de Maria Helena Mauad, que assumiu a presidência desde então. A primeira unidade, batizada de Unidade 7 de Setembro, foi instalada em uma área cedida por membros do Secovi-SP em uma região periférica da capital paulista, com cursos iniciais de confeiteiro, padeiro, serigrafia e auxiliar administrativo. Em 2002, a operação foi transferida para a Unidade Brigadeiro, onde o Ampliar segue atuando até hoje, tendo ampliado ao longo dos anos seu portfólio para cursos de assistente administrativo, cabeleireiro, idiomas, manicure, maquiagem, contabilidade, web design, corretagem imobiliária e segurança do trabalho. Segundo Velletri, ao longo de 35 anos a instituição atendeu 63.200 pessoas, das quais 70% ingressaram no mercado de trabalho. Somente em 2025, foram 700 atendimentos e 3 mil famílias impactadas, número que a entidade já projeta superar neste ano.
Durante a cerimônia, o Secovi-SP prestou homenagem a três lideranças que sustentaram a trajetória do Ampliar. A primeira foi para Maria Helena Mauad, idealizadora e presidente da entidade, que recebeu um buquê de flores das mãos de Jorge Cury e teve seu aniversário comemorado com bolo e canção ao longo do evento. Em seu discurso, Maria Helena relembrou a origem da iniciativa, na década de 1990, quando observava, próximo à sua casa na região dos Jardins, crianças em situação de rua sendo deixadas e recolhidas diariamente por uma van. “Eu via aquilo e aquilo, na realidade, me incomodava”, disse. A partir de uma conversa com o Senai, ela desenvolveu a ideia de um curso profissionalizante e chegou a atuar na comunidade Favela 7 de Setembro antes de transferir a operação para a Brigadeiro, em parceria com o Projeto Tesourinha. “Eu tive muita ajuda com as empresas aqui do Secovi, que sempre participaram, apoiaram, na realidade ajudaram a financiar o projeto”, afirmou.
A segunda homenagem foi para Leonardo Siqueira, reconhecido por “anos de visão transformadora” à frente da liderança do Ampliar na última década. Em seu discurso, emocionado, Siqueira relatou como assumiu a coordenação da entidade após ser procurado por Maria Helena em um momento de esgotamento da liderança anterior. “Eu me coloquei à disposição e o negócio saiu”, disse, relembrando também um momento de dificuldade financeira, quando um corte na contribuição sindical do Secovi-SP afetou o orçamento do Ampliar. Siqueira contou que, justamente nesse período, o empresário Elie Horn visitou a entidade e se comprometeu a dobrar o valor arrecadado em uma campanha, o que ajudou a sustentar o projeto por um longo período. Ele agradeceu nominalmente a Margareth Oliveira e ao conselho deliberativo do Ampliar.
A terceira homenageada foi Margareth Oliveira, gestora da entidade há 26 anos, que ingressou como estagiária no Secovi-SP. “Chegar à gestão do Ampliar parecia muito distante”, disse, agradecendo à diretoria do sindicato e à pequena equipe que hoje conduz o dia a dia da instituição. “Ver o Ampliar se tornar um instituto é emocionante para mim.”
Wertheim convidou ainda Flávia Luna e Léa Terra para breves depoimentos sobre a trajetória da parceria entre o Ampliar e o Secovi-SP. Flávia, esposa de Rodrigo Luna, lembrou que a aproximação entre as duas entidades remonta à gestão do marido à frente do sindicato. “Nós precisamos mudar o Ampliar, a gente precisa ampliar o Ampliar, precisa trazer o Ampliar para dentro do Secovi”, disse ter conversado com Rodrigo à época. Léa Terra, por sua vez, destacou a emoção de ver o projeto se tornar instituto. “É um movimento, e eu senti uma grande preocupação de que isso jamais fenecesse. O instituto agora me dá uma grande esperança.”
Rodrigo Luna, ex-presidente do Secovi-SP e atuat vice-presidente de Mercado de Capitais, discursou sobre o papel do empresariado na filantropia. “Fazer o bem é andar por aí e perceber que nós todos temos que agradecer pelo que somos, pelas oportunidades que tivemos”, afirmou. Luna prestou homenagem ao empresário Elie Horn, com quem mantém relação de quase 20 anos, e recordou a trajetória de Sérgio Mauad na fundação do Ampliar. Ele relatou como, durante sua gestão à frente do Secovi-SP, articulou a entrega do prêmio Hors Concours do Master Imobiliário a Elie Horn como forma de viabilizar uma arrecadação para o projeto. “Nós vamos arrecadar mais R$ 3 milhões”, relembrou ter dito a Horn na ocasião, valor que, segundo ele, ajudou a sustentar o Ampliar nos anos seguintes. Para Luna, o Instituto Ampliar deve se tornar “o braço do ESG” para empresas do setor. “É uma honra para mim pertencer ao conselho do novo Instituto Ampliar.”
A estrutura do novo Instituto Ampliar foi detalhada por Rachel Carneiro, fundadora da consultoria Ideal Social, contratada para conduzir a reformulação da entidade a convite de Carlos Borges, vice-presidente de Tecnologia e Sustentabilidade do Secovi-SP. Segundo ela, a atualização acompanha uma mudança no próprio conceito de vulnerabilidade social observada nas últimas décadas. “Uma organização social que é resiliente, que resiste ao tempo e continua fazendo sentido para a sociedade, ela precisa acompanhar o ritmo das mudanças sociais”, afirmou. A partir de agora, o Ampliar deixa de falar em “formação profissional e geração de renda” para adotar o conceito de “inclusão produtiva”, ampliando o público atendido, que não se restringe mais a jovens, e passando a tratar de “mundo do trabalho” no lugar de “mercado de trabalho”, com espaço também para o empreendedorismo. A nova atuação se apoia em três pilares, desenvolvimento de competências, conexões com oportunidades e acesso à moradia digna. “A gente fala hoje que a pobreza é multidimensional”, disse Carneiro, defendendo que atacar apenas uma frente do problema social não é suficiente para romper o ciclo de pobreza entre gerações.
Na prática, a jornada do beneficiário passa a incluir mapeamento de interesses e projeto de vida, formação técnica com conteúdo de habilidades socioemocionais e cidadania, mentorias voltadas tanto ao emprego quanto ao empreendedorismo, ciclos de palestras e um novo formato de vivências profissionais, em que jovens formados acompanham por um dia a rotina de executivos de empresas parceiras. Rachel também apresentou as novas formas de apoio à instituição, que passa a contar com uma categoria de mantenedores, com aportes anuais de empresas e um selo institucional para uso em comunicação. Outras modalidades incluem doações pontuais ou recorrentes de pessoas físicas, patrocínios corporativos, com possibilidade de a empresa escolher a região atendida, projetos especiais desenhados em conjunto com parceiros, doação de produtos, prestação de serviços e trabalho voluntário. As novidades, incluindo a identidade visual da marca, estão disponíveis no site institutoampliar.org.br.
Ely Wertheim assumiu então a palavra para tratar da sustentabilidade financeira da nova estrutura, defendendo a criação de um sistema de doação recorrente por parte das empresas associadas ao Secovi-SP. Segundo ele, o Ampliar deixará sua sede na Rua Brigadeiro Luís Antônio para se instalar na própria sede do Secovi-SP, com a contratação de um executivo especializado para tocar os projetos da instituição em regime profissional. Wertheim destacou ainda que a nova estrutura jurídica do Ampliar permite acessar recursos de outras fontes e firmar convênios, com auditoria de uma empresa de grande porte e maior prestação de contas à sociedade.
O CEO do Instituto Cyrela, Aron Zylberman, foi convidado a comentar a proposta sob a ótica empresarial. Ele defendeu que o investimento social deve ser tratado como estratégia de negócio, e não como caridade, com base no conceito de valor compartilhado. “Toda atividade empresarial, sem exceção, gera externalidades positivas e negativas”, disse, observando que a cobertura da imprensa tende a amplificar apenas os aspectos negativos da atuação do setor imobiliário. Zylberman citou como referência outros institutos ligados a incorporadoras, como Cyrela, Ypê, Plano & Plano, Cury, MRV e Mitre, e defendeu que ampliar o número de profissionais qualificados para a construção civil é do interesse direto das empresas do setor. “Façam pensando o seguinte: eu estou fazendo um investimento, eu não estou fazendo caridade.”
Ubirajara Freitas, vice-presidente de Estratégias de Mercado, também discursou sobre o convite para integrar o conselho do Instituto Ampliar. Ele recordou uma conversa antiga com Elie Horn sobre as motivações da filantropia do empresário, que lhe respondeu se considerar “tesoureiro de Deus”, e mencionou a trajetória do próprio pai para defender a ampliação da formação voltada à construção civil diante da escassez de profissionais qualificados no setor. Freitas afirmou que passará a se dedicar de forma mais intensa ao Instituto Ampliar.
Em seguida, o ex-presidente do Secovi-SP Paulo Germanos fez uma reflexão sobre a identidade histórica do sindicato ao longo de seus 50 anos de atuação. “A causa do Secovi nesses 80 anos tem sido perseguida por todos os presidentes que se sucederam, defender o acesso à moradia digna, o acesso à construção, o acesso ao trabalho”, disse, comparando a criação do Instituto Ampliar à fundação da Universidade Secovi como um dos marcos da trajetória institucional do sindicato.
O vice-presidente de Relações Institucionais, Basilio Jafet, também discursou, utilizando a metáfora de uma corrida de 100 metros disputada por competidores que partem de pontos de largada diferentes para ilustrar as desigualdades de oportunidade enfrentadas pelos jovens atendidos pelo Ampliar. “A gente tem que procurar diminuir essas diferenças na linha de partida, que nós tenhamos oportunidades mais próximas para todos”, afirmou, parabenizando Maria Helena Mauad e Leonardo Siqueira pela condução da entidade.
Encerrando as manifestações, Carlos Borges, responsável por indicar a Ideal Social para conduzir a reestruturação do Ampliar, destacou que a atualização da instituição não deve se limitar ao discurso de assistencialismo. “Nós precisamos recuperar nos jovens a vontade de prosperar, de ganhar dinheiro, de comprar uma casa, de subir como sociedade”, afirmou, defendendo que a autonomia financeira se torne uma bandeira mais ampla do Secovi-SP.
Ao retomar a palavra, Jorge Cury compartilhou uma memória pessoal sobre o envolvimento de sua família com o assistencialismo e destacou a importância da credibilidade institucional na destinação de doações. Na sequência, anunciou a adesão de duas cotas na categoria platina de mantenedores, uma pela Trisul e outra pelo Banco Tricury, movimento ao qual Rodrigo Luna aderiu em seguida em nome da Plano & Plano. O evento foi encerrado por Ely Wertheim, que reforçou o convite às empresas associadas para aderirem à nova estrutura de mantenedores.
Fonte:Secovi

