O Encontro Internacional da Indústria da Construção (ENIC) 2026 iniciou sua programação nesta terça-feira (19), no Distrito Anhembi, em São Paulo, reunindo empresários, especialistas, autoridades públicas e lideranças do setor para debater tendências, desafios e oportunidades que devem moldar a construção brasileira nos próximos anos. Promovido pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), o evento segue até o dia 21 de maio e contará com painéis voltados à inovação, sustentabilidade, industrialização da construção, tecnologia, gestão de pessoas, mercado imobiliário e desenvolvimento econômico.
Entre as lideranças presentes, Ely Wertheim, presidente-executivo do Secovi-SP e vice-presidente da Indústria Imobiliária da CBIC, representando o segmento imobiliário em um dos fóruns mais relevantes da construção civil no país. Luís Antônio França, presidente da Abrainc; Yorki Stefan, presidente do SindusCon-SP; Cláudio Medeiros Netto Ribeiro, presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada (SINICON).
O presidente da CBIC, Renato Correia, sintetizou o espírito do evento: “Vamos discutir no ENIC assuntos importantes como o aumento do custo dos insumos, a gestão dos contratos, os impactos da escala 6×1, a reforma tributária e os caminhos para manter os negócios rentáveis diante desse cenário de mudanças.”
Durante a reunião, o presidente da CBIC expôs a pauta que desafia o setor – um deles é o cenário para o atendimento da meta de contratação de 1 milhão de habitações no programa Minha Casa, Minha Vida em 2026, prejudicado pelos reflexos da Guerra no Oriente Médio. O presidente da CBIC informou que os preços de insumos do setor da construção estão subindo. “As empresas passam a ter dificuldade para contratar por não dispor de margem”, explicou. A expectativa do setor é por uma revisão dos preços das unidades, especialmente na Faixa 01 do programa.
Outro tema discutido foi a redução da jornada de trabalho, medida que impactará a execução de obras no país. “Nós queremos o trabalhador com saúde e motivação. Não somos contra a redução da jornada, mas gostaríamos de discutir melhor como fazer”, ponderous Correia. O presidente da CBIC enfatizou a necessidade de um período de transição para que as empresas possam avançar na busca por produtividade e manter o desempenho em um ambiente de escassez de novos entrantes no setor.
A CBIC também apontou uma agenda para redução da burocracia que compromete a execução de projetos, especialmente no mercado imobiliário. “É importante harmonizar os códigos de obra em todo o país para que possamos acelerar o Minha Casa, Minha Vida e estimular a industrialização”, disse Correia.
O presidente Lula esteve na cerimônia de abertura do ENIC 2026 e ressaltou os investimentos do governo que aquecem o mercado imobiliário do país. Aos empresários, o presidente destacou que “a construção civil é imprescindível para o futuro do país em qualquer momento histórico”, pois gera emprego e oportunidades.
Lula destacou números expressivos da Caixa Econômica Federal, cobrou mais rapidez na execução do programa Reforma Casa Brasil e voltou a reforçar o fortalecimento do Minha Casa Minha Vida. Segundo informações apresentadas pelo presidente durante o evento, a Caixa encerrou o primeiro trimestre de 2026 com uma carteira de crédito imobiliário de R$ 966,2 bilhões, equivalente a 7,2% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.
O presidente também apresentou dados sobre os contratos do programa habitacional. Foram registrados 171 mil contratos do Minha Casa, Minha Vida FGTS apenas no primeiro trimestre de 2026 — número 93% superior ao do mesmo período de 2023. Além disso, 45 mil contratos do Minha Casa, Minha Vida Classe Média foram assinados entre maio de 2025 e o primeiro trimestre deste ano, com investimento de R$ 11,4 bilhões.
Na cerimônia, Lula recebeu uma placa do ENIC em homenagem aos serviços prestados à construção, ao combate ao déficit habitacional e à implementação de infraestrutura.
Fonte:Secovi
