{"id":2813,"date":"2026-09-30T23:48:41","date_gmt":"2026-10-01T02:48:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www.imovelp.com.br\/blog\/sbn-na-pratica-parte-1apresenta-experiencias-e-aplicacoes-de-jardins-de-chuva-biovaletas-e-parques-resilientes-em-diferentes-escalas\/"},"modified":"2026-09-30T23:48:41","modified_gmt":"2026-10-01T02:48:41","slug":"sbn-na-pratica-parte-1apresenta-experiencias-e-aplicacoes-de-jardins-de-chuva-biovaletas-e-parques-resilientes-em-diferentes-escalas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.imovelp.com.br\/blog\/sbn-na-pratica-parte-1apresenta-experiencias-e-aplicacoes-de-jardins-de-chuva-biovaletas-e-parques-resilientes-em-diferentes-escalas\/","title":{"rendered":"SBN na pr\u00e1tica &#8220;parte 1&#8243;apresenta experi\u00eancias e aplica\u00e7\u00f5es de jardins de chuva, biovaletas e parques resilientes em diferentes escalas"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p dir=\"ltr\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-95482\" src=\"https:\/\/secovi.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/SLJ_8354-scaled.jpg\" alt=\"\" width=\"2560\" height=\"1707\" srcset=\"https:\/\/secovi.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/SLJ_8354-scaled.jpg 2560w, https:\/\/secovi.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/SLJ_8354-1280x854.jpg 1280w, https:\/\/secovi.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/SLJ_8354-980x653.jpg 980w, https:\/\/secovi.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/SLJ_8354-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) and (max-width: 1280px) 1280px, (min-width: 1281px) 2560px, 100vw\"\/><\/p>\n<p>O painel \u201cSBN na pr\u00e1tica: Experi\u00eancias e Aplica\u00e7\u00f5es\u201d, um dos blocos mais extensos do semin\u00e1rio sobre solu\u00e7\u00f5es baseadas na natureza (SBN) no desenvolvimento urbano, foi dividido em duas etapas. A primeira trouxe casos de projeto, tecnologia, obra e gest\u00e3o p\u00fablica. Sob a condu\u00e7\u00e3o da s\u00f3cia-diretora da Geasa Engenharia, Beatriz Codas, participaram o engenheiro de projetos da ADS Tigre, Tarcisio Miranda, a coordenadora do Setor de Infraestrutura Verde da Geasa Engenharia, Maite Pinheiro, o diretor e arquiteto paisagista da EMBY\u00c1, Duarte Vaz, e o engenheiro ambiental e assessor t\u00e9cnico da Secretaria Municipal do Clima, Meio Ambiente e Sustentabilidade de Campinas, Gabriel Dias Mangolini Neves.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Ao abrir o painel, Beatriz destacou a mudan\u00e7a de cen\u00e1rio em rela\u00e7\u00e3o ao in\u00edcio do trabalho com o tema. \u201cDe repente, a gente v\u00ea a Cetesb falando de SBN, v\u00ea o Graprohab falando de SBN, tantas entidades apoiando o tema. Hoje a gente tem as nossas refer\u00eancias. A gente n\u00e3o precisa mais pegar projeto de fora, a gente j\u00e1 tem os nossos projetos aqui.\u201d Segundo ela, o setor imobili\u00e1rio teve papel central. \u201cDesses dez anos, eu posso dizer que o mercado imobili\u00e1rio foi o que mais acreditou nesse conceito. A pr\u00f3pria Ruth lutando para colocar nos empreendimentos, mas muitos clientes loteadores tamb\u00e9m acreditavam nisso. No Sul, a gente conseguiu implementar muito.\u201d E completou: \u201cEsse manual, para a gente, \u00e9 um marco muito importante, e todo esse reconhecimento dessa t\u00e9cnica, que \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o para todas as nossas quest\u00f5es clim\u00e1ticas.\u201d<\/p>\n<p dir=\"ltr\">O primeiro a apresentar foi Tarcisio, que explicou a atua\u00e7\u00e3o da empresa. \u201cEu sou engenheiro civil h\u00e1 mais de 13 anos e h\u00e1 seis fa\u00e7o parte da equipe da ADS Tigre. Sou respons\u00e1vel pela \u00e1rea de projetos, ent\u00e3o desenvolvo sistemas junto com projetistas e prefeituras, voltados para reten\u00e7\u00e3o e deten\u00e7\u00e3o de \u00e1guas pluviais, usando uma tecnologia que eu acredito que a maioria de voc\u00eas ainda n\u00e3o conhece, chamada StormTech.\u201d Ele contou que a ADS \u00e9 americana e a Tigre \u00e9 brasileira, e que as duas fizeram uma joint venture para trazer ao pa\u00eds solu\u00e7\u00f5es em PEAD. \u201cTodos os nossos produtos se baseiam no ciclo da \u00e1gua de chuva, da capta\u00e7\u00e3o, condu\u00e7\u00e3o, armazenamento e tratamento. Hoje, especificamente, vamos falar do armazenamento, contribuindo com o pessoal com quem a gente desenvolveu esse projeto dos jardins de chuva.\u201d<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Tarcisio descreveu o funcionamento do sistema. \u201cA gente trabalha com uma caixa de entrada, que recebe toda a vaz\u00e3o da \u00e1rea de superf\u00edcie, do telhado. Ela \u00e9 direcionada para a primeira fileira conectada a essa caixa, que \u00e9 a fileira separadora, e vai reter os res\u00edduos s\u00f3lidos da \u00e1rea de pavimento ou de telhado, aquilo que contribui na vaz\u00e3o inicial. O fundamento do StormTech \u00e9 receber essa primeira vaz\u00e3o alta, separar essa sujeira, reter a parte limpa da \u00e1gua e lan\u00e7\u00e1-la na caixa de sa\u00edda com a menor vaz\u00e3o e zero impureza.\u201d Segundo ele, o resultado \u00e9 um sistema pr\u00e1tico. \u201cCom isso, a gente n\u00e3o sobrecarrega o local onde vai ser o lan\u00e7amento das tubula\u00e7\u00f5es nem a interliga\u00e7\u00e3o com uma rede urbana existente. Ele separa, ret\u00e9m e impede que ocorram enchentes e inunda\u00e7\u00f5es na \u00e1rea de contribui\u00e7\u00e3o do empreendimento.\u201d<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A modularidade, segundo ele, \u00e9 uma vantagem. \u201c\u00c9 um sistema modular, ent\u00e3o a gente consegue mold\u00e1-lo conforme as interfer\u00eancias. \u00c0s vezes a gente tem interfer\u00eancia de tubula\u00e7\u00e3o de esgoto, el\u00e9trica ou at\u00e9 de postes de ilumina\u00e7\u00e3o. Como s\u00e3o pe\u00e7as pr\u00e9-fabricadas, \u00e9 somente encaixe: n\u00e3o tem parafuso, n\u00e3o tem solda, uma vai encaixando na outra.\u201d O sistema pode ser instalado sob parques, pra\u00e7as, vias p\u00fablicas e estacionamentos e suporta a circula\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos. \u201cA limpeza na fileira separadora \u00e9 feita por hidrojato, que lan\u00e7a at\u00e9 o final da fileira ou at\u00e9 o po\u00e7o de visita mais pr\u00f3ximo e faz a suc\u00e7\u00e3o, simples assim. A periodicidade \u00e9 em torno de um a dois anos, depende muito do local em que ela \u00e9 instalada.\u201d Tarcisio tamb\u00e9m citou um caso em S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, onde reservat\u00f3rios subterr\u00e2neos foram instalados sob um campo de futebol. \u201cNa pr\u00f3xima semana eu volto l\u00e1 para ampliar esse reservat\u00f3rio, com mais volume, para resolver outras quest\u00f5es de enchente.\u201d<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Maite Pinheiro contou sua trajet\u00f3ria e a da equipe. \u201cEu sou bi\u00f3loga. Fiz meu mestrado na \u00e1rea de arquitetura e urbanismo porque comecei a estudar fitorremedia\u00e7\u00e3o e me encantei com o potencial de usar vegeta\u00e7\u00e3o para melhorar a qualidade ambiental.\u201d Segundo ela, a Geasa, que completa 25 anos, criou em 2023 o departamento de infraestrutura verde. \u201cA Geasa tem mais de 500 projetos executados, e hoje a gente j\u00e1 contabiliza 84 projetos dentro do que se chama solu\u00e7\u00f5es baseadas na natureza, entre 2019 e 2025.\u201d Entre os trabalhos, ela citou o jardim de chuva piloto de Salvador, feito com o WRI e o C40, e o jardim filtrante do Parque Jardim do \u00c9den, projetado para a Secretaria Executiva do Programa Mananciais. \u201cEm 2023, a gente fez um semin\u00e1rio sobre infraestrutura verde, e hoje a casa est\u00e1 muito mais cheia. Acho que \u00e9 um resultado do esfor\u00e7o de muitas pessoas que est\u00e3o h\u00e1 muitos anos trabalhando com pesquisa e tentando levar isso para todas as \u00e1reas.\u201d<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Maite apresentou o estudo feito para a Tigre. \u201cA gente foi contratado para fazer um caderno de solu\u00e7\u00f5es de drenagem para amortecimento e mitiga\u00e7\u00e3o de cheias urbanas. Para isso, a gente precisava de um case real, porque precisa de dados reais para poder dimensionar e projetar. Contamos com o apoio do Shopping Center Norte, que j\u00e1 vinha trabalhando no case conosco e permitiu que a gente usasse os dados do projeto para fazer o estudo.\u201d Ela explicou a metodologia que orienta os projetos de drenagem da equipe. \u201cBoa parte da nossa equipe \u00e9 da \u00e1rea acad\u00eamica, ent\u00e3o tem uma metodologia que a gente chama carinhosamente de Estudo de Impacto Zero no Ciclo Hidrol\u00f3gico. A gente sempre trabalha com quatro indicadores: a polui\u00e7\u00e3o difusa, o pico de vaz\u00e3o, o volume e a evapotranspira\u00e7\u00e3o.\u201d E ponderou: \u201cEsse cen\u00e1rio ideal depende de muitos fatores, da vontade pol\u00edtica, da vontade do pr\u00f3prio empreendedor, da \u00e1rea dispon\u00edvel e do tipo de empreendimento.\u201d A equipe usa QGIS para mapear prioridades, Civil 3D para modelar as solu\u00e7\u00f5es, SWMM para simular a drenagem e o software de dimensionamento da pr\u00f3pria Tigre.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">O estudo foi feito em tr\u00eas escalas, segundo Maite. Na da bacia, a equipe avaliou de forma hipot\u00e9tica a bacia do c\u00f3rrego Carandiru, em S\u00e3o Paulo, densamente ocupada, substituindo o piscin\u00e3o de 30 mil metros c\u00fabicos previsto no caderno de drenagem por uma infraestrutura verde combinada ao sistema subterr\u00e2neo. \u201cA gente falou: como \u00e9 que a gente pode substituir o piscin\u00e3o por uma infraestrutura verde combinada com o StormTech? A bacia vegetada tem 800 metros quadrados e um volume de 72 metros c\u00fabicos, um volume pequeno comparado aos 30 mil, mas que d\u00e1 conta de toda a \u00e1rea de contribui\u00e7\u00e3o da bacia vegetada. O restante, que j\u00e1 ia para o piscin\u00e3o, vai para o StormTech.\u201d Na escala do vi\u00e1rio, o estudo trabalhou com uma via em reforma e com a pra\u00e7a em frente ao Shopping Center Norte, e na do lote combinou um jardim de chuva ao sistema para substituir o reservat\u00f3rio exigido pela Lei das Piscininhas do Estado de S\u00e3o Paulo. \u201cA gente costuma fazer arboriza\u00e7\u00e3o combinada, que tem \u00f3timos resultados. As \u00e1rvores se desenvolvem muito melhor.\u201d<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Maite destacou que as solu\u00e7\u00f5es acolheram mais volume que a meta nos casos menores. \u201cTudo o que \u00e9 a mais, a gente entende tamb\u00e9m como resili\u00eancia, porque a chuva que a gente projeta tem uma limita\u00e7\u00e3o e ela pode ser maior do que a gente projetou.\u201d Segundo ela, a infraestrutura verde tamb\u00e9m protege o sistema cinza. \u201cComo a gente tem o potencial de tratar a polui\u00e7\u00e3o difusa pela bacia, isso estende o tempo da necessidade de manuten\u00e7\u00e3o do StormTech.\u201d Em \u00e1reas muito urbanizadas, afirmou, a combina\u00e7\u00e3o funciona. \u201cA infraestrutura cinza fica mais adequada quando combinada com a infraestrutura verde. O ideal \u00e9 trabalhar a bacia inteira, da montante para a jusante, com o leque de solu\u00e7\u00f5es que a gente pode usar, como telhado verde, jardim de chuva, bacia, trincheiras, tudo o que a gente puder fazer.\u201d Sobre os custos, disse: \u201cO custo que a gente estimou ficou entre a refer\u00eancia do cat\u00e1logo do Sinapi e a do GIZ. Essa parte foi muito interessante para ver que as refer\u00eancias s\u00e3o reais, elas est\u00e3o batendo com a pr\u00e1tica do projeto.\u201d<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Beatriz voltou \u00e0 palavra para apresentar um loteamento de pr\u00e9dios abertos em Campinas, o Oregon, o primeiro caso em que a equipe conseguiu aprovar solu\u00e7\u00f5es desse tipo em uma prefeitura do Estado de S\u00e3o Paulo, j\u00e1 que as \u00e1reas seriam doadas ao munic\u00edpio. \u201cQuando a gente tem a possibilidade de mexer no desenho urbano, como no caso de Jurer\u00ea, consegue implantar muito mais infraestrutura verde. Quando a gente chega e o projeto j\u00e1 est\u00e1 pronto, a\u00ed \u00e9 o desafio. O cliente falou: \u2018V\u00ea o que voc\u00eas conseguem fazer\u2019. E foi o que a gente conseguiu, mas sempre d\u00e1 para fazer, e isso \u00e9 que \u00e9 bom.\u201d A equipe mapeou interfer\u00eancias e o caminho da \u00e1gua, e encontrou espa\u00e7o em canteiros centrais, rotat\u00f3rias e em uma \u00e1rea verde. \u201cAgora a gente j\u00e1 pode classificar segundo o manual da Cetesb. A gente j\u00e1 consegue p\u00f4r a biovaleta na \u00e1rea verde.\u201d Foram implantadas biovaletas em canteiros centrais, rotat\u00f3rias e no sistema de lazer, jardins de chuva em uma rotat\u00f3ria e canteiros pluviais onde n\u00e3o cabia a biovaleta.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">O objetivo, segundo Beatriz, era melhorar a \u00e1gua antes da drenagem. \u201cA gente queria que a \u00e1gua passasse pela biovaleta antes de chegar \u00e0 boca de lobo. Tinha a rede de drenagem convencional, mas a gente fez as biovaletas antes de chegar \u00e0 drenagem. Com isso, a gente melhorava a qualidade da \u00e1gua, infiltrava, evaporava, fazia todo o ciclo hidrol\u00f3gico antes de ela chegar l\u00e1.\u201d Ela enfatizou o rigor t\u00e9cnico. \u201cO projeto de infraestrutura verde \u00e9 um projeto de engenharia h\u00eddrica. Uma biovaleta tem o dimensionamento de um canal, de um conduto livre, e por tr\u00e1s de um jardim de chuva e de uma biovaleta tem todo um estudo de engenharia que precisa ser feito. A gente define quanta \u00e1gua quer que entre e quanta quer que saia, com que velocidade entra e com que velocidade sai.\u201d Quando a declividade aumenta demais a velocidade, disse, s\u00e3o instalados vertedores no meio da biovaleta para proteger as plantas. \u201cEu n\u00e3o posso ter mais de 48 horas de \u00e1gua dentro de um jardim de chuva, para evitar problema com vetores, com mosquitos. Por isso o dispositivo de sa\u00edda \u00e9 t\u00e3o importante.\u201d<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Segundo Beatriz, o solo do empreendimento tinha \u00f3tima permeabilidade, e por isso n\u00e3o foi usada brita sob as biovaletas nem sob os jardins de chuva. \u201cSempre que a gente pode, a gente n\u00e3o usa brita. Sempre que poss\u00edvel, \u00e9 melhor deixar sem.\u201d Maite acrescentou que o plantio usa esp\u00e9cies nativas sempre que poss\u00edvel. A obra \u00e9 executada por um parceiro da equipe, e as biovaletas j\u00e1 enfrentaram uma chuva forte. \u201cJ\u00e1 teve uma super chuva e elas aguentaram super bem.\u201d Sobre o resultado do trecho implantado, Beatriz disse: \u201cA gente n\u00e3o tinha o objetivo de fazer o impacto zero, como muitas vezes faz para a Cetesb, mas s\u00f3 nesse pequeno peda\u00e7o que a gente conseguiu implementar, a gente alcan\u00e7ou 8% de amortecimento e 11% de tratamento, que j\u00e1 s\u00e3o coeficientes interessantes para diminuir o impacto.\u201d<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Duarte Vaz iniciou sua fala com uma reflex\u00e3o sobre o desenvolvimento imobili\u00e1rio. \u201cUm dos maiores desafios hoje n\u00e3o \u00e9 apenas construir novos lugares, mas criar lugares capazes de durar e de gerar valor ao longo do tempo. Falamos de um contexto de instabilidade clim\u00e1tica, e projetar ou construir sem conhecer o territ\u00f3rio devidamente \u00e9 colocar em risco investimentos e a seguran\u00e7a das pessoas.\u201d Ele descreveu o m\u00e9todo do escrit\u00f3rio. \u201cCome\u00e7amos sempre pela ecologia, e estou falando de solo, clima, fauna e flora, mas tamb\u00e9m de cultura, do modo de vida das pessoas, da rela\u00e7\u00e3o de pertencimento com aquele lugar. Por fim, a linguagem, que \u00e9 a tradu\u00e7\u00e3o de tudo isso em forma, em espa\u00e7os, em desenhos. E todas essas camadas s\u00e3o atravessadas pela dimens\u00e3o do tempo. Um parque, um jardim, n\u00e3o est\u00e1 pronto no dia da inaugura\u00e7\u00e3o. Ele continua a ser constru\u00eddo, a ser transformado.\u201d<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Duarte apresentou o Parque Ecol\u00f3gico Memorial Passo de Estrela, no Vale do Taquari, no Rio Grande do Sul, em uma regi\u00e3o devastada pelas chuvas de 2023 e 2024. \u201cNo munic\u00edpio de Cruzeiro do Sul, 60% da \u00e1rea urbana foi atingida. As pessoas perderam suas casas, suas economias, seus neg\u00f3cios, suas ra\u00edzes.\u201d Como o bairro n\u00e3o podia mais ser habitado, o governo do estado convidou o escrit\u00f3rio para criar um parque, j\u00e1 que a rela\u00e7\u00e3o dos moradores com o lugar \u00e9 forte. O trabalho teve a participa\u00e7\u00e3o da Geasa desde a primeira visita, do munic\u00edpio, da Secretaria de Desenvolvimento Urbano do Rio Grande do Sul e da Universidade do Vale do Taquari, a Univates. \u201cFizemos as primeiras visitas sem nenhum croqui. N\u00e3o t\u00ednhamos ideia, n\u00e3o t\u00ednhamos projeto, n\u00e3o t\u00ednhamos nada. Vamos ouvir o que eles querem. Num lugar que vem de eventos como esses, a gente poderia correr um risco muito grande de projetar algo que n\u00e3o teria ades\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p dir=\"ltr\">O projeto se apoia em tr\u00eas alicerces, segundo Duarte. \u201cO primeiro \u00e9 a mem\u00f3ria dos eventos, que precisa ser did\u00e1tica, mas tamb\u00e9m a mem\u00f3ria do bairro. Eles falavam o tempo todo que o bairro tinha muita vida, muitos eventos, crian\u00e7as. Ent\u00e3o a gente queria que o parque n\u00e3o fosse um memorial de tristeza, mas que mostrasse como era o dia a dia e como vai voltar a ser. Isso n\u00e3o foi uma ideia minha, foi um desejo deles. O segundo \u00e9 a ecologia: em alguns projetos, n\u00f3s fazemos concess\u00f5es a quest\u00f5es est\u00e9ticas e ornamentais, mas nesse a ecologia era a premissa. O terceiro \u00e9 a cultura.\u201d Para entender a cultura local, o escrit\u00f3rio montou uma equipe de profissionais ga\u00fachos. \u201cDescobrimos esportes de que eu nunca tinha ouvido falar, e participamos de eventos ao longo do projeto.\u201d<\/p>\n<p dir=\"ltr\">O desenho nasce da \u00e1gua, segundo Duarte. \u201cEntendemos que n\u00e3o havia como bloquear a \u00e1gua. Ela deveria fazer parte do novo parque, passar por ali, se acomodar, infiltrar ou ficar durante algum tempo e ser devolvida ao Rio Taquari.\u201d O parque \u00e9 resiliente \u00e0s cheias. \u201cNum per\u00edodo sem chuvas, ele \u00e9 um parque, e se transforma \u00e0 medida que o rio vai subindo. H\u00e1 \u00e1reas que n\u00e3o t\u00eam nenhuma interfer\u00eancia com as \u00e1guas, e o uso do parque pode continuar normalmente, mas h\u00e1 momentos em que j\u00e1 est\u00e1 previsto que ele vai ficar imerso.\u201d Nas margens, foi feita restaura\u00e7\u00e3o com bioengenharia, com enrocamento, pedras e vegeta\u00e7\u00e3o nativa adaptada ao contexto, em parceria com a Univates.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">O projeto guarda elementos da hist\u00f3ria do bairro, segundo Duarte. \u201cUma parte do material que foi recolhido depois das limpezas, como pe\u00e7as de azulejo, a gente passou a usar em muros, mobili\u00e1rio e no revestimento de um trecho do parque. Dessa forma, eles viam que estavam sendo representados.\u201d As poucas \u00e1rvores que sobreviveram foram mantidas. \u201cElas simbolizam resili\u00eancia, que \u00e9 o que a gente prop\u00f4s ao parque, e \u00e9 uma resili\u00eancia deles.\u201d O Eixo da Mem\u00f3ria preserva as ruas que os moradores identificaram como principais. \u201cEssa arboriza\u00e7\u00e3o entre os lotes, a gente chama de quintais, porque especificou \u00e1rvores nos lugares onde havia \u00e1rvores nos quintais das resid\u00eancias.\u201d O centro de conviv\u00eancia foi desenhado pelo escrit\u00f3rio Observat\u00f3rio, com material cer\u00e2mico encontrado em cisternas do bairro. No Largo de F\u00e1tima, onde ficava a igreja, um monumento receber\u00e1 a imagem de Nossa Senhora de F\u00e1tima, que caiu mas n\u00e3o foi destru\u00edda. \u201cEla est\u00e1 na mesma altura de antes, e tem uma linha que marca onde a \u00e1gua chegou, porque eles tamb\u00e9m queriam. Esse espa\u00e7o representa o evento, mas tamb\u00e9m a f\u00e9 e a resili\u00eancia dessas pessoas, e permite novos batismos, novos encontros e uma reflex\u00e3o sobre como constru\u00edmos e transformamos as cidades.\u201d<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Encerrando o painel, Gabriel apresentou a experi\u00eancia de Campinas. \u201cCampinas \u00e9 sede da Regi\u00e3o Metropolitana, tem mais de 1,2 milh\u00e3o de habitantes e faz parte da Macrometr\u00f3pole Paulista. Estamos aqui para apresentar a experi\u00eancia de cerca de 10 a 15 anos do que a cidade vem fazendo para estruturar a implanta\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es baseadas na natureza, nem sempre chamadas com esse conceito.\u201d A secretaria mant\u00e9m o N\u00facleo de Solu\u00e7\u00f5es Baseadas na Natureza e atua em v\u00e1rios n\u00edveis. \u201cNo cen\u00e1rio internacional, somos signat\u00e1rios do Pacto de Berlim pela Natureza Urbana, inclusive somos parte do conselho desse pacto. Participamos por estar alinhados com essas metas, mas tamb\u00e9m por ter o interesse de atuar como agente representante de um governo local do Sul global.\u201d Campinas tamb\u00e9m integra o programa Cidades Verdes Resilientes, colabora com a Estrat\u00e9gia Nacional de SBN, apoia a constru\u00e7\u00e3o da norma da ABNT e acompanha, no \u00e2mbito estadual, o Zoneamento Ecol\u00f3gico-Econ\u00f4mico, o programa Bairro Paulista e o Biota S\u00edntese.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Para Gabriel, a legisla\u00e7\u00e3o local precisa traduzir esses esfor\u00e7os. \u201cA gente j\u00e1 via que Campinas vinha, desde o Plano Diretor Estrat\u00e9gico de 2018, trazendo, dentro do Sistema de \u00c1reas Verdes e Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o, tipologias como corredores ecol\u00f3gicos, recupera\u00e7\u00e3o de APPs e parques lineares.\u201d A partir do plano diretor, foi alterado o decreto de parcelamento do solo, e o munic\u00edpio tem planos setoriais, programas de parques lineares, corredores ecol\u00f3gicos, pagamento por servi\u00e7o ambiental e o Reconecta RMC, leis sobre microflorestas e hortas urbanas, uma lei espec\u00edfica para o Hub Internacional de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel e o Plano Local de A\u00e7\u00e3o Clim\u00e1tica. \u201cNada \u00e9 feito sem diagn\u00f3stico e sem planejamento baseado em evid\u00eancias, e a governan\u00e7a \u00e9 intersetorial e participativa. N\u00e3o fazemos nada enquanto secretaria sozinhos.\u201d A capacita\u00e7\u00e3o feita com o WRI, com apoio da Geasa, reuniu mais de 40 t\u00e9cnicos de 10 pastas. \u201c\u00c9 da\u00ed que todo mundo come\u00e7a a falar a mesma l\u00edngua dentro do poder p\u00fablico local, e surgem as op\u00e7\u00f5es de a gente conversar sobre um loteamento que prop\u00f5e solu\u00e7\u00f5es baseadas na natureza.\u201d<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Os resultados, segundo ele, dependem da parceria com o setor imobili\u00e1rio. \u201cA maior parte dos resultados que a gente traz vem desse ordenamento e dessa parceria com o parcelamento do solo, com o setor imobili\u00e1rio.\u201d Campinas tem 40 passagens de fauna, a maior parte em novos parcelamentos, e uma proposta de 49 parques lineares, em cerca de 900 hectares, parte deles j\u00e1 implantada por loteadores, como o parque linear do loteamento Oregon. Nas \u00e1reas p\u00fablicas, os parques lineares entraram em financiamentos de macrodrenagem. \u201cHoje a gente tem recurso garantido num financiamento com o BNDES, vinculado ao Fundo Clima, que \u00e9 o menor juro poss\u00edvel do banco, para a implanta\u00e7\u00e3o de tr\u00eas parques lineares junto com o projeto de macrodrenagem. Est\u00e1 em andamento a assinatura de um novo contrato com o BNDES, com mais quatro parques lineares, na ordem de mais de 70 hectares, em \u00e1reas vulner\u00e1veis.\u201d A cidade tem ainda mais de 250 hortas urbanas em \u00e1reas p\u00fablicas e institucionais e 30 microflorestas, com mais de 70 mil metros quadrados plantados e mais de 46 mil mudas, al\u00e9m de um jardim de chuva em um centro de sa\u00fade, viabilizado por contrapartida de Estudo de Impacto de Vizinhan\u00e7a, e de um projeto de requalifica\u00e7\u00e3o de uma rua central com solu\u00e7\u00f5es de microdrenagem.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Gabriel citou as parcerias com WRI, ICLEI, GIZ, Unicamp, PUC-Campinas e Universidade S\u00e3o Francisco e deixou um convite ao setor privado. \u201cEsperamos que um dia a gente ganhe mais parceiros, agora mais vinculados ao setor privado, e estamos abertos a isso.\u201d A secretaria prepara com o Sesc Campinas uma nova capacita\u00e7\u00e3o, que avan\u00e7ar\u00e1 para a escala normativa das SBN, com p\u00fablico intersetorial, e acompanha a revis\u00e3o do C\u00f3digo de Obras e da lei de uso e ocupa\u00e7\u00e3o do solo e zoneamento. O novo plano diretor, segundo ele, deve come\u00e7ar a ser discutido no pr\u00f3ximo ano, com previs\u00e3o para 2028.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><script>\n  !function(f,b,e,v,n,t,s)\n  {if(f.fbq)return;n=f.fbq=function(){n.callMethod?\n  n.callMethod.apply(n,arguments):n.queue.push(arguments)};\n  if(!f._fbq)f._fbq=n;n.push=n;n.loaded=!0;n.version='2.0';\n  n.queue=[];t=b.createElement(e);t.async=!0;\n  t.src=v;s=b.getElementsByTagName(e)[0];\n  s.parentNode.insertBefore(t,s)}(window, document,'script',\n  'https:\/\/connect.facebook.net\/en_US\/fbevents.js');\n  fbq('init', '780597760435075');\n  fbq('track', 'PageView');\n<\/script><br \/>\n<br \/><br \/>\n<br \/>Fonte:<a href=\"https:\/\/secovi.com.br\/sbn-na-pratica-parte-1apresenta-experiencias-e-aplicacoes-de-jardins-de-chuva-biovaletas-e-parques-resilientes-em-diferentes-escalas\/\">Secovi <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O painel \u201cSBN na pr\u00e1tica: Experi\u00eancias e Aplica\u00e7\u00f5es\u201d, um dos blocos mais extensos do semin\u00e1rio sobre solu\u00e7\u00f5es baseadas na natureza (SBN) no desenvolvimento urbano, foi dividido em duas etapas. 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