Diretor regional Bruno Pegorin Netto analisa o cenário para 2026 e destaca que o segmento econômico responde por até 75% das vendas na cidade
O mercado imobiliário de Bauru e região inicia o ano de 2026 com perspectivas otimistas, impulsionadas pela sinalização de queda da taxa Selic. Em participação no Programa Cidade 360 — uma produção conjunta do Jornal da Cidade/JCNET e da rádio 96FM —, o diretor da Regional do Secovi-SP em Bauru, Bruno Pegorin Netto, destacou que a expectativa de juros menores já reflete sensivelmente nas condições oferecidas pelas instituições financeiras, incentivando a retomada de projetos e decisões de compra.
Para ele, o setor funciona de forma interligada e lenta em sua resposta aos estímulos, comparando a dinâmica setorial à navegação de grande porte. “Manobrar o mercado imobiliário é como se manobrar um grande transatlântico; tudo o que você coloca para circular no universo imobiliário é positivo, desde a busca pelo primeiro imóvel até o investimento para renda”, afirma o diretor.
A queda projetada da Selic para o patamar de 12,5% ao final do ano é vista como um facilitador essencial para o orçamento das famílias, já que taxas elevadas costumam comprometer a capacidade de financiamento. “A Selic abaixo dos dois dígitos é o cenário perfeito para o universo imobiliário, mas essa queda já ajuda muito. A parcela nominal diminui e o imóvel volta a entrar dentro do orçamento familiar”, observa.
A Pesquisa do Mercado Imobiliário do Secovi-SP aponta que o segmento econômico — inserido no programa Minha Casa, Minha Vida — continua sendo o motor das vendas em Bauru. Atualmente, esse perfil de imóvel representa entre 70% e 75% das unidades comercializadas na cidade, com valores médios em torno de R$ 205 mil.
A liquidez deste mercado é reforçada por programas habitacionais e subsídios que garantem juros atrativos, mesmo em cenários de instabilidade. O estoque atual é considerado saudável, mas o esvaziamento das “prateleiras” com a melhora do cenário econômico deve exigir uma nova tração de lançamentos para atender à demanda crescente.
Apesar do otimismo econômico, o setor enfrenta gargalos burocráticos significativos que impactam o preço final das unidades. A demora nos processos de aprovação de projetos e diretrizes é apontada como o principal obstáculo para o desenvolvimento urbano célere em Bauru.
Segundo o diretor regional, a eficiência pública é fundamental para a competitividade da cidade. “O maior concorrente do mercado imobiliário de Bauru é o processo de aprovação. O trabalho que se perde ao longo do tempo custa caro e isso reflete lá na unidade final para a população”, ressalta Bruno. A entidade acompanha de perto a revisão do Plano Diretor, visando garantir que a nova legislação ofereça clareza técnica e segurança jurídica para os empreendedores.
Além dos indicadores de mercado, o Secovi-SP Bauru promove no dia 27 de fevereiro um encontro técnico focado na responsabilidade social. O objetivo é orientar contribuintes e empresas sobre a destinação de parte do Imposto de Renda (IR) para entidades assistenciais locais.
Bauru possui um potencial de destinação de R$ 38 milhões anuais, mas apenas uma pequena fração desse valor tem sido aproveitada. “Não é uma doação; o imposto já é devido. A pessoa apenas escolhe quem vai receber, permitindo que uma parcela do recurso fique em Bauru para projetos sociais em vez de ser distribuída integralmente pelo governo federal”, finaliza.
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Fonte:Secovi
