Secovi-SP alerta para impacto de até 11% no custo da habitação com redução da jornada


Em entrevista à BandNews TV, presidente executivo Ely Wertheim defende análise técnica e alerta para risco de perda de renda do trabalhador

O presidente executivo do Secovi-SP, Ely Wertheim, concedeu entrevista à BandNews TV nesta quarta-feira, 11/2, para analisar os possíveis impactos da proposta de redução da jornada de trabalho no Brasil. Durante o debate, o dirigente destacou que o mercado imobiliário e o setor de construção civil podem sofrer reflexos econômicos imediatos, com potencial de elevar o preço final dos imóveis em até 11%.

Segundo Wertheim, o custo da mão de obra representa cerca de 50% do valor total de um empreendimento habitacional. “Se aprovada, essa proposta terá um impacto grande. Com base em estudos técnicos, estimamos um aumento de 22% no custo de um colaborador, o que se traduz em um acréscimo de 10% a 11% no custo de um apartamento. É um impacto muito grande para o setor”, afirmou o presidente executivo.

A entidade também manifestou preocupação com a remuneração dos profissionais do setor, que muitas vezes é composta por parcelas variáveis ligadas à produtividade. Wertheim explicou que a redução de dias trabalhados pode resultar em uma queda direta nos ganhos mensais. “Muitos funcionários do mercado imobiliário ganham por tarefa. Se ele não trabalhar, não terá essa tarefa medida e sofrerá uma queda no rendimento. O trabalhador será prejudicado na sua renda e no preço das mercadorias que consome”, ressaltou.

Outro entrave apontado pelo Secovi-SP é a grave escassez de mão de obra qualificada no País. Para o dirigente, a ideia de que a redução de jornada geraria novas contratações esbarra na falta de profissionais treinados. “Se tivermos que contratar mais, não há quem contratar. O operário hoje é muito qualificado e não se consegue colocá-lo em uma obra sem muito treinamento. Não existe substituição imediata, o que geraria aumento de custos e atrasos nos prazos de entrega”, pontuou.

O Secovi-SP defende que o tema seja tratado com cautela no Parlamento, evitando decisões precipitadas ou com viés eleitoral. A entidade sugere que a modernização das relações laborais passe por acordos setoriais em vez de uma lei única e genérica. “Trabalhar não arranca pedaço; trabalhar é bom, enriquece e faz com que as pessoas tenham mais renda. O que precisamos é diminuir encargos sociais para transformar isso em salário na ponta, já que o custo de contratação no Brasil é um dos maiores do planeta”, concluiu Wertheim





Fonte:Secovi

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