A vice-presidência de Empreendedorismo e Inovação (VPEI) realizou, em 18/3, uma reunião híbrida para debater o impacto da tecnologia no mercado imobiliário e atualizar os associados sobre as principais pautas institucionais. O encontro abordou desde desafios regulatórios na capital paulista até a aplicação prática de inteligência artificial e análise de dados na incorporação.
A agenda foi aberta pelo vice-presidente, Rodrigo Abrahão, com um panorama sobre temas de grande impacto urbano. Foram discutidos os desdobramentos da CPI da Habitação de Interesse Social (HIS), que segue em andamento na Câmara Municipal, e a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) movida pelo Ministério Público, que resultou na suspensão temporária da emissão de alvarás de demolição, supressão de vegetação e novas construções na cidade de São Paulo.
“A Prefeitura está proibida de emitir qualquer tipo de alvará para qualquer obra. Até tem um particular que comprou um terreno e quer aprovar a sua casa. Supressão de árvore, demolição. E não é só do setor imobiliário. Todo mundo é afetado”, explicou o presidente executivo do Secovi-SP, Ely Wertheim, reforçando a atuação contínua da entidade junto ao poder público e ao Judiciário para mitigar os impactos dessas medidas.
Outro ponto de atenção foi a concessão do Campo de Marte. As novas regras de aproximação para voos por instrumentos impuseram restrições de gabarito em um raio de até 20 quilômetros, afetando a emissão de certidões do Comando da Aeronáutica (Comaer) para diversos empreendimentos. “A gente está trabalhando pra derrubar isso”, afirmou Wertheim.
O encontro destacou apresentações de startups que estão otimizando processos e transformando a forma como o mercado imobiliário opera. Guilherme Pinho, fundador da Brique, apresentou uma solução focada em unificar e analisar dados para aprimorar a tomada de decisão em negócios imobiliários. Com experiência em empresas de alto crescimento, como QuintoAndar e Elo7, Pinho explicou o propósito da ferramenta. “A inspiração é ser uma espécie de ChatGPT para a informação imobiliária, para que as pessoas possam fazer decisões mais rápidas e mais informadas, tomar melhores decisões toda vez”, afirmou.
Para ilustrar a aplicação da ferramenta, Pinho detalhou um estudo de caso realizado na região da Vila Clementino. A partir de uma base inicial de cerca de 8 mil lotes, a plataforma aplicou dezenas de filtros e critérios de qualificação para chegar a uma lista restrita de 19 oportunidades de negócios altamente qualificadas. “A gente puxou cada uma das matrículas, a gente passou isso numa inteligência artificial e a gente gerou aqui um relatório, extraindo todo aquele texto jurídico que a gente tem da matrícula”, detalhou o fundador da Brique.
A reunião também serviu para atualizar os associados sobre as iniciativas internas da entidade. Sarah Miranda e Marcus Serkis apresentaram as novidades do MoviMente, o prêmio de startups do Secovi-SP que completa 10 anos em 2026. O projeto passa por um processo de reformulação para se consolidar como o hub de inovação Secovi Tech. “A ideia do Secovi Tech é ser esse ponto de contato e esse hub onde a gente consegue dar vazão pros projetos dentro da casa e também os projetos que vão pra fora”, explicou Serkis.
Na área de economia e dados, Laryssa Kakuiti e Fabrício Pereira detalharam as parcerias em andamento para a criação de novas ferramentas de inteligência de mercado. “A ideia é que o associado tenha acesso, de uma maneira fácil e rápida, a todos os dados relevantes para o nosso setor. E que ele consiga ali fazer os cruzamentos de interesse, tirar os relatórios relevantes para o negócio dele”, destacou Laryssa sobre a parceria com a alemã Build Us. Foi mencionado um projeto piloto com a Oracle para estimar o estoque futuro de empreendimentos na Vila Mariana e a reestruturação do GeoSecovi em parceria com a Place.
Gabriel Luna comentou sobre as ações de aproximação com o meio acadêmico. O Secovi-SP tem fortalecido parcerias com instituições como Insper, FGV e Ibmec. “A gente tem a frente de parceria com as universidades, então a gente normalmente entra nas universidades via a entidade estudantil do mercado imobiliário, para trazer os alunos mais para próximos do mercado”, explicou Luna, citando também projetos de troca de informações de mercado e participação em feiras de carreiras.
Em seguida, Thomas Takeuchi, cofundador e CEO da ArqGen, demonstrou como a inteligência artificial generativa está acelerando os estudos de viabilidade arquitetônica. A plataforma desenvolvida pela startup automatiza a geração de projetos, respeitando regras urbanísticas e critérios de negócio, o que reduz drasticamente o tempo necessário para essa etapa inicial da incorporação.
Takeuchi, que é arquiteto e professor de pós-graduação em IA aplicada na construção, apresentou casos de sucesso com métricas expressivas. Em um dos exemplos, uma construtora do segmento econômico reduziu o tempo de estudo de três dias para apenas meio dia. Em outro caso, uma incorporadora de loteamentos horizontais diminuiu o tempo de análise de 90 minutos para 5 minutos e conseguiu aumentar o número de unidades do projeto de 164 para 199. “A mudança de paradigma não é apenas fazer mais rápido. Eu podia fazer no mesmo tempo, mas eu consegui colocar mais unidade, aí que muda o jogo”, ressaltou o CEO da ArqGen.
Fonte:Secovi
