Em entrevista à Band Campinas, Kelma Camargo, diretora regional do Secovi-SP, analisa o cenário da habitação, a revitalização do Centro e as novas dinâmicas dos condomínios
O mercado imobiliário da região de Campinas segue em ritmo de expansão, impulsionado por mudanças de comportamento consolidadas nos últimos anos e por novas configurações de moradia. Foi o que detalhou Kelma Camargo, diretora regional do Secovi-SP em Campinas, durante sua participação no programa Band Entrevista, da Band Campinas, exibido dia 25/3.
Kelma traçou um panorama abrangente sobre o momento atual do segmento, que registrou um aumento de 10% nas vendas no último ano. Segundo a ela, o fenômeno tem raízes profundas nas dinâmicas estabelecidas durante a crise causada pelo COVID-19.
“Nós viemos de uma pandemia onde tivemos uma interiorização. As pessoas saíram dos grandes centros e vieram para o interior. Durante quase três anos, pouparam, porque ninguém pôde viajar. Então, ao invés de gastar com coisas supérfluas, as pessoas saíram comprando imóveis”, explicou a diretora. “O interior abraçou essa turma toda. Tiveram a experiência de morar aqui e descobriram que valia a pena ficar.”
Apesar de desafios macroeconômicos, como o poder aquisitivo e a taxa de juros, o mercado encontrou um forte alicerce na habitação subsidiada. Kelma revelou que 43% do crescimento recente do mercado se concentrou no programa Minha Casa Minha Vida. A diretora destacou a evolução desses projetos, que hoje oferecem localizações aprimoradas e ampla estrutura.
Uma das mudanças mais visíveis, no entanto, é a redução na metragem interna dos apartamentos, uma tendência que veio para ficar. “Hoje as pessoas não procuram imóvel para viver dentro dele, elas querem para dormir. Para viver, querem ir para a área de lazer. Então, buscam um apartamento compacto com uma grande área de lazer: churrasqueira, piscina, sauna, quadras. Hoje, inclusive os empreendimentos Minha Casa Minha Vida possuem áreas pet e espaço gourmet”, pontuou.
Questionada se o preço acompanha essa redução de espaço, Kelma destacou: “O preço se equivale, porque aquilo que eu não vou crescer no apartamento interno, eu vou crescer na área de lazer, no conforto e na disponibilidade do meu comprador. É isso que ele quer hoje”.
Pensando no desenvolvimento urbano de Campinas, o Secovi-SP tem acompanhado de perto o mapeamento de prédios subutilizados na região central. Para a diretora, a solução para a degradação do Centro é clara e passa obrigatoriamente pelo setor habitacional.
“A única maneira de você revitalizar o Centro e devolver vida a ele é levar vida ao Centro. Não tem outra maneira. Se você não levar as pessoas para morar no centro da cidade, você não o revitaliza, porque as empresas e universidades que de lá saíram não vão voltar”, alertou. Ela sugere que a implementação de habitações populares seja o caminho: “O programa Minha Casa Minha Vida no Centro seria uma excelente jogada, uma excelente cartada para a gente melhorar as condições”.
A região também se prepara para o impacto do futuro Trem Intermunicipal, que ligará a capital paulista a Campinas. Para Kelma, a antecipação das obras é motivo de comemoração para o setor construtivo. “Isso vai trazer para dentro das cidades mão de obra, trabalho, moradia e consumo. A construção civil traz uma gama imensa de investimentos, desde a botina para a obra até a cesta básica”, afirmou, ressaltando que o impacto nos preços dos imóveis dependerá do equilíbrio natural entre a oferta e a nova demanda.
O debate na emissora também adentrou o dia a dia dos residenciais. Com o avanço das tecnologias de controle de acesso, o uso da biometria facial levantou dúvidas sobre a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). A diretora defendeu o sistema tecnológico como o mais seguro disponível hoje: “A identificação facial dentro dos condomínios é a coisa mais moderna que nós temos. Ela é indiscutível. Só através dela você evita que uma pessoa perca seu acesso e alguém entre no condomínio. Face é face, ninguém vai copiar a sua”.
Outro ponto foi o reforço do papel dos condomínios no combate a crimes, especialmente o feminicídio. Kelma lembrou que a legislação obriga a intervenção em casos de violência. “Não existe nenhum impedimento da entrada dos órgãos competentes dentro de condomínio para resolver o que tiver que ser resolvido. Isso é mito. Pode entrar sim e tomar as providências. A legislação de 2021 diz que o síndico tem responsabilidade de noticiar isso ao órgão competente”, enfatizou.
Antes de encerrar, a diretora fez questão de destacar as ações sociais abraçadas pelo setor. Além da edificação de imóveis, ela mencionou as iniciativas voltadas aos trabalhadores da construção civil. “O Secovi tem um programa de desenvolvimento dentro das obras, de participação da família, de estar ajudando e alfabetizando, através de um grupo que se chama Ampliar”, ressaltou, evidenciando o compromisso institucional da entidade com a base da cadeia produtiva.
Como mensagem aos telespectadores que ainda hesitam em adquirir o primeiro imóvel, Kelma deixou um conselho: “Nós, brasileiros, temos o sonho da casa própria. Ninguém vai poder dizer para mim que isso acabou. Vale a pena investir. Ninguém perde dinheiro com imóvel, pois ele cresce no mercado e vai te dar um bom retorno. Entre no financiamento, vá pagando e saia do aluguel, porque o aluguel é uma coisa que vai embora e você não vê de volta”
Fonte:Secovi
