Secovi-SP sedia abertura do Fórum Construindo Cidades Resilientes, dentro da programação da SP Climate Week 26


O Secovi-SP recebeu nesta quinta-feira, 6 de agosto, a abertura do Fórum Construindo Cidades Resilientes: Desenvolvimento Imobiliário, Construção e Finanças Sustentáveis, evento integrante da programação da São Paulo Climate Week 2026. O encontro tem como objetivo promover o diálogo entre entidades setoriais, setor produtivo, instituições financeiras, organismos multilaterais e poder público em torno do fortalecimento da agenda de sustentabilidade no desenvolvimento imobiliário e na construção civil.

O fórum é uma realização conjunta de Abrainc, CBIC, GBC Brasil, Saint-Gobain, Secovi-SP e SindusCon-SP, com correalização do Senai e apoio institucional de ABCLs, Abramat, Abividro e CNI. A Saint-Gobain atua como patrocinadora oficial da São Paulo Climate Week e patrocinadora especial deste fórum, sediado na sede do Secovi-SP, um dos hubs oficiais da edição deste ano do evento.

A mediação ficou a cargo de Patrícia Bittencourt, gerente de sustentabilidade do Secovi-SP, e Débora Mendes, especialista em Public Affairs e Soluções Integradas da Saint-Gobain, ambas integrantes da curadoria da São Paulo Climate Week. “Ao longo deste dia, estaremos promovendo o diálogo entre os diferentes atores da agenda”, afirmou Patrícia Bittencourt na abertura. Débora Mendes complementou, situando o encontro dentro do eixo de cidades resilientes e infraestrutura da programação da Climate Week. “Discutir como transformar os compromissos climáticos em políticas, investimentos e soluções concretas para cidades brasileiras é uma jornada, e é mais do que um discurso. Queremos construir sinergias entre essas entidades”, disse.

Ely Wertheim, presidente-executivo do Secovi-SP, deu as boas-vindas como anfitrião do encontro. “É muito prazeroso para a gente poder sediar esse evento, feito por todas as entidades, num assunto tão importante”, afirmou.

Luiz Antonio França, presidente da Abrainc, abriu a rodada de falas institucionais destacando o atraso do país no enfrentamento da agenda climática, apesar de condições naturais favoráveis. “Durante muitos anos, a gente sempre falou dos problemas, mas nunca atacou o problema”, disse, citando a matriz energética brasileira como um ativo pouco valorizado. “Oitenta e cinco por cento da matriz energética do Brasil vem dos rios. Quando você olha países da OCDE, estamos falando de 23% da matriz energética vindo dessa fonte.” O presidente da Abrainc defendeu a padronização de normas de edificação para empreendimentos como o Minha Casa, Minha Vida, hoje reguladas de forma distinta em cada município. “Se a gente tivesse isso padronizado, teria capacidade de industrializar, de usar formas que serviriam para o Brasil todo. Isso significa redução de desperdício e ganho de produtividade”, afirmou.

Raul Penteado, representante do GBC Brasil, apresentou dados sobre certificações de construções sustentáveis no país. “O Brasil é o quinto país do mundo que mais certifica construções sustentáveis”, disse, apontando como principal desafio a expansão desse conceito para além do segmento corporativo de alto padrão. “O grande desafio que temos é expandir esse conceito para o residencial, e principalmente para o residencial de baixa renda, o Minha Casa, Minha Vida. Ali não se trata só de construir de forma mais eficiente, mas de garantir que a família vá consumir menos água e menos luz, trazendo uma vantagem econômica muito mais palpável para essa população”, afirmou.

Gustavo Siqueira, vice-presidente de Recursos Humanos e Public Affairs da Saint-Gobain América Latina, relacionou a resiliência climática à necessidade de industrialização da construção civil. Ele citou episódios recentes que afetaram operações da própria companhia, incluindo a inundação de uma fábrica da Brasilit em Esteio, no Rio Grande do Sul, e de uma unidade de produção de vidro plano no Egito. “Hoje, quando a gente começa a falar de mudança climática e construção, o Brasil ainda tem 35 milhões de pessoas sem água encanada e quase 100 milhões sem esgoto coletado. Já que temos que enfrentar esse déficit habitacional, por que não fazê-lo da maneira mais rápida, mais industrializada e mais sustentável possível?”, questionou. Siqueira defendeu que soluções construtivas simples, como determinados tipos de vidro e isolamento térmico, podem reduzir entre 5% e 7% o consumo de energia das edificações, mas ressaltou que a ausência de normas técnicas padronizadas no país trava a escala dessas inovações. “No Brasil ainda estamos lutando para ter esse processo, para que a gente trate isso não como uma coisa de luxo, mas como algo necessário para termos cidades resilientes”, afirmou.

Eduardo Maimon Saidân, presidente-executivo do SindusCon-SP, apresentou iniciativas da entidade voltadas à mensuração de impacto ambiental na construção civil, entre elas as ferramentas SeCarbono, para cálculo de consumo energético e emissão de gases de efeito estufa, e a mais recente SeHídrica, voltada à pegada hídrica das edificações. “Essas ferramentas permitem que se elaborem inventários e se tirem informações técnicas para auxiliar construtoras e incorporadoras a atender aos requisitos ambientais hoje exigidos pelas principais entidades financiadoras de obras”, explicou. O executivo também mencionou o avanço de conceitos como o de cidades-esponja e a criação de reservatórios de retardo em edifícios para conter os efeitos de enchentes. “O SindusCon-SP está à disposição para colaborar na implementação de políticas que estimulem essas ações”, afirmou.

Eduardo Aroeira Almeida, presidente da CBIC, classificou o fórum como um evento inédito por reunir as principais entidades do mercado imobiliário e da construção civil em torno de um mesmo tema. “A agenda climática deixou de ser uma pauta ambiental. Hoje ela influencia diretamente a competitividade das empresas, a capacidade de atrair investimentos e a qualidade de vida das pessoas”, afirmou. O presidente da CBIC defendeu que sustentabilidade e desenvolvimento econômico não são contraditórios. “A inovação, a eficiência e a descarbonização representam oportunidades para aumentar a produtividade, reduzir custos ao longo do ciclo de vida das edificações e ampliar o acesso a novos mercados e fontes de financiamento”, disse, citando a participação da CBIC nas discussões do Plano Clima e na construção da Taxonomia Sustentável Brasileira. Sobre o financiamento da transição para uma economia de baixo carbono, afirmou: “Precisamos avançar na estruturação de projetos financiáveis, reduzir a percepção de risco e criar mecanismos que permitam ampliar o acesso ao crédito para iniciativas de adaptação e mitigação das mudanças climáticas.”

Encerrando a rodada de falas institucionais, Ely Wertheim retomou o tema da insegurança jurídica como principal entrave à implementação de soluções sustentáveis no país, em tom de provocação direta ao poder público. “Tem dezenas, milhões de ideias boas e projetos bons que não passam, porque a empresa é penalizada por aquilo que fez, ou porque a legislação não permite. Imaginem cada cidade do Brasil ter uma legislação urbanística diferente por conta da vaidade de um prefeito, ou de um Ministério Público que não compreende o que está por trás disso”, afirmou. Wertheim relatou um caso concreto enfrentado pelo setor em São Paulo, envolvendo exigência de potabilidade da água em processos de descontaminação de terrenos. “A gente enfrentou aqui uma questão de um promotor que resolveu que, na descontaminação, a água deveria se tornar potável. Se não dá para fazer potável, não tem problema, então a gente não compra o terreno, não descontamina, e o terreno fica lá, contaminado, invadido”, disse. O presidente-executivo do Secovi-SP defendeu maior articulação do setor privado junto a órgãos reguladores e ao Ministério Público. “Quando é que nós vamos começar a provocar quem nos serve, e não o contrário? O setor público deveria estar aqui para nos servir”, afirmou.

Gustavo Siqueira retomou a palavra para reforçar o argumento de Wertheim, citando a legislação de licitações públicas como exemplo de entrave à inovação no setor. “No Brasil, a gente chega a ser penalizado pela inovação por causa da legislação. Se você cria uma tecnologia que reduz em 20% o custo de uma construção popular, mas só você tem essa tecnologia, você não pode participar de uma concorrência pública normalmente, porque cai numa dispensa por inexigibilidade. É a burocracia atravancando a própria inovação”, afirmou.





Fonte:Secovi

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