Vice-presidente do Secovi-SP detalha êxodo urbano e expansão imobiliária no interior paulista


Em entrevista concedida ao programa do Canal do Boi no dia 25/2, o vice-presidente do Interior do Secovi-SP, Frederico Marcondes Cesar, detalhou o fenômeno do êxodo urbano que tem transformado a demografia e o mercado imobiliário paulista. O movimento, que se intensificou entre 2020 e 2023 devido à pandemia da Covid-19, resultou em um aumento na procura por imóveis rurais, como chácaras e sítios, com índices que variam entre 200% e 340%.

Ao analisar o crescimento populacional, Marcondes Cesar apresentou dados que comprovam a consolidação do interior como o principal eixo de crescimento do estado. “Esse processo já vem de pelo menos 40 anos, que se acentuou mais agora por conta da pandemia. Para se ter uma ideia, a população da cidade de São Paulo estava na ordem de 8,5 milhões de habitantes em 1980. Agora nós temos uma população em torno de 12,6 milhões. O interior de São Paulo saiu de 16,5 milhões de habitantes e foi a 34, 35 milhões. Ou seja, o interior cresceu em torno de 105%, enquanto a cidade de São Paulo teve um crescimento na ordem de 60%”, afirmou o executivo.

A produção de moradias acompanhou essa tendência de interiorização com números ainda mais expressivos. O vice-presidente do Secovi-SP destacou que o interior dobrou sua produção imobiliária em comparação com a capital nos últimos 30 anos. “A cidade de São Paulo possuía 2,5 milhões de domicílios em 1992. Hoje, são 4,1 milhões. O interior paulista saiu de 5,5 milhões de domicílios e chegou a 11,2 milhões. Ou seja, o interior paulista dobrou a sua produção imobiliária, comparativamente com São Paulo. Então, o interior paulista construiu capital e meia nesses últimos 30 anos. Isso demonstra o crescimento do interior paulista em todas as ordens”, ressaltou.

Um dos principais motores dessa migração é a disparidade de custos e a busca por qualidade de vida. Segundo o especialista, o interior oferece oportunidades financeiras que a capital já não consegue comportar. “O preço médio de uma unidade imobiliária nova em São Paulo hoje está em torno de R$ 17 mil. No interior paulista, o preço médio é R$ 9 mil. Então nós temos, além da facilidade e da proximidade com São Paulo, rodovias e vias expressas. O custo de vida no interior é mais barato, seja para a compra do imóvel, seja para a locação, educação, alimentação e transporte. O interior tem oferecido essas oportunidades, motivo pelo qual nós temos a probabilidade de observar esse êxodo das pessoas da capital para o interior”, detalhou.

A busca por esse novo estilo de vida concentra-se principalmente em cidades localizadas em um raio de até 100 quilômetros de São Paulo. “O que a pesquisa do Secovi identificou da pandemia para cá é a cidade no entorno de um raio de até 100 quilômetros da cidade de São Paulo. Ou seja, Campinas, São José dos Campos, Jundiaí, Atibaia, essas cidades tiveram um forte incremento e uma procura muito grande por aquisição de chácaras, lotes e casas. Isso em todas as classes: A, B e C”, explicou o executivo.

Outro dado relevante apresentado na entrevista diz respeito à oferta de novos terrenos para construção, onde a diferença entre a capital e o interior é abismal. “Nos últimos 10 anos, a cidade de São Paulo aprovou apenas 7 mil lotes. O interior de São Paulo, segundo dados do Graprohab, licenciou 1.362.000 lotes contra 7 mil da cidade de São Paulo. Então isso denota o crescimento do interior de São Paulo em todas as regiões, mas acentuadamente na franja de São Paulo, num raio de até 100 quilômetros”, concluiu.

Confira a íntegra





Fonte:Secovi

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