Painel do Conexão Imobiliária Secovi-SP debateu governança, sucessão e protagonismo feminino no mercado imobiliário
A sucessão empresarial foi tema de um dos debates mais informativo do Conexão Imobiliária Secovi-SP. Mediado por Roseli Hernandes, membro da diretoria de Intermediação Imobiliária e Marketing do Secovi-SP, o painel “Planejar para permanecer: sucessão em foco” reuniu Telmo Bauler, CEO da Bauler Assessoria Organizacional; Tatiane Praxedes, advogada e professora do IBET; e Julia Dal Santo, CEO da Guarida Imóveis, para discutir desafios e soluções práticas que asseguram a continuidade dos negócios familiares no setor imobiliário.
Logo na abertura, Roseli ressaltou que a sucessão é um tema que “toca o coração das famílias que construíram o mercado imobiliário”. Segundo ela, a transição de gerações é inevitável — e deve ser planejada. “A sucessão não acontece apenas na aposentadoria ou no falecimento de um fundador. Ela também ocorre quando há mudanças de carreira, afastamentos ou redirecionamentos pessoais. Por isso, pensar na continuidade é essencial para a sustentabilidade das empresas”, afirmou.
Bauler destacou que o primeiro passo é a humildade das partes envolvidas. “A palavra-chave da sucessão é humildade — do sucedido e do sucessor. É preciso reconhecer o momento certo de passar o bastão e cuidar do legado com governança e profissionalismo”, afirmou. Ele reforçou que a ausência de planejamento e de processos de transferência de conhecimento pode comprometer a operação. “Não há sucessão familiar bem-sucedida sem base sólida de governança”, completou.
A advogada Tatiane Praxedes abordou o tema sob o ponto de vista jurídico, explicando que o planejamento sucessório deve ser personalizado. “Cada família, cada patrimônio, cada empresa tem uma dinâmica própria. Por isso, o planejamento precisa ser individualizado e adaptado à realidade de cada grupo”, observou. Ela lembrou que instrumentos como holdings patrimoniais, testamentos e acordos de sócios são fundamentais, mas devem ser aplicados com critério. Tatiane alertou também para os impactos da reforma tributária. “Com as mudanças previstas, a holding não será mais a solução ideal para todos os casos. É preciso avaliar o uso, o objetivo e o perfil dos bens”, explicou.
Em sua fala, Julia Dal Santo trouxe ao público sua experiência à frente da Guarida Imóveis, empresa fundada por sua família e hoje uma das maiores do país. “A sucessão não é um evento, é um processo. Eu comecei muito jovem, trabalhando em todas as áreas da empresa, de atendente a gestora. Esse aprendizado me deu segurança para liderar”, contou. Ela destacou que o respeito à história e aos valores da empresa foi fundamental para conduzir a transição. “Meu pai sempre dizia que trabalho é um valor. Eu assumi a empresa aos 28 anos, mas já trazia mais de uma década de vivência no negócio. A sucessão é uma construção conjunta, baseada na confiança e na continuidade do propósito”, disse.
Fonte:Secovi
